CHICOTADAS...
Chicotadas do fundo do coração, chicotadas de mau gosto, chicotadas poéticas, chicotadas psicológicas, chicotadas no dorso...das que quiserem por onde quiserem! Chicotadas por todo o lado!
Domingo, Outubro 09, 2011
Terça-feira, Janeiro 11, 2011
Tenho a honra de vos apresentar UM PALHAÇO:
Este jovenzito, dito jornalista do Expresso e bloguista, lembrou-se de escrever isto.
Diz ele "O governo tem de reduzir a despesa pública, e só há uma forma séria de o fazer: cortar nos salários da função pública. Sem um corte na massa salarial dos funcionários do Estado, será impossível controlar a despesa. Acabou a festa, meus amigos. (...) 15 cêntimos de cada euro que v. ganha, caro leitor, são destinados aos salários da função pública. Acha isto justo?"
Menino Henrique Raposo, vamos por pontos, para ser fácil de perceber:
1- Sabe que os funcionários públicos também pagam esse montante, não sabe?
2- Sabe que os funcionários públicos pagam, sem falha, os seus impostos, ao contrário do sector privado, em que a fuga às obrigações fiscais é "o pão nosso de cada dia", não sabe?
3- Sabe que para compensar a situação financeira do país, nomeadamente devido a fraudes no mercado financeiro e de capitais (sector privado), são os salários dos funcionários públicos que vão sofrer cortes, não sabe?
4- Conhece o conceito de cargo público? Explicando-lhe de forma simples, que lhe seja acessível, é um cargo que se desempenha, em nome do Estado, a favor dos cidadãos, a favor do bem-comum, da comunidade (, e não me venha com a falácia do "mau funcionário público"!). Não lhe consigo explicar de forma mais simples, desculpe-me. Ora, assim sendo, ainda acha que não faz sentido TODOS os trabalhadores (nomeadamente os do sector privado) contribuirem para a remuneração de quem exerce um cargo público?
5- E sabe, por fim, o que é exercer sem mácula, honestamente, competentemente, um cargo público durante 40 anos, pagar impostos durante 40 anos e chegar ao dia da reforma e dizerem-lhe que esta vai sofrer um corte, devido à insustentável situação financeira do país?
Suponho que não sabia, pois se soubesse não teria vomitado tais palavras. Agora, pode ser que já saiba, apesar de o imaginar com dificuldade em compreender alguns conceitos supra referidos.
Quem perde com as baboseiras que o menino diz? Eu não sou. O menino provavelmente também não. O jornal semanário para onde escreve, esse sim, perde. Pelo menos um leitor.
Etiquetas: expresso, função pública, henrique raposo
Sexta-feira, Outubro 08, 2010
Não gosto deste país.
Hoje estou desiludido com o meu país. Não gosto dele.
Hoje, este país não me dá futuro. Ou melhor, acaba com as merecidas perspectivas de futuro que criei.
É um país que tem ao leme gente sem carácter, "peneirenta" (como disse o Frei Fernando Ventura numa clarividente análise recentemente), gente egoísta, corrupta, sem sentido de Estado, muito menos de dever. Gente que é capaz de hipotecar um povo e as gerações futuras para ter simplesmente o poder nas mãos. Sim, o poder. Vale mais, muito mais que o dinheiro. E é afrodisíaco para alguns, vê-se nos seus olhos.
Um país com 900 anos de história, grande outrora, tão grande que já duvidamos dos livros de história, de tão difícil que é acreditar. Pequeno agora, tão pequeno que já vemos timorenses com pena de nós.
Que fizeste pelo teu país, podem perguntar. Pouco, responderei. Mas acrescentarei: ontem acordei com vontade de fazer, de contribuir. Ontem tinha um projecto, e nesse projecto o bem-comum, o benefício da sociedade era parte integrante. Hoje, acordei e tudo mudou. Roubaram-me esse projecto. Tenho de reagir e assim o farei, mas o bem-comum, o benefício da sociedade, esse vai ter de ficar para trás, porque hoje vejo-me obrigado a ser egoísta, a pensar única e exclusivamente em mim (e nos meus). E isto deixa-me de rastos, mata o Viriato dentro de mim. Envergonha-me.
Quando um país nos envergonha, deixamos de o amar. Tornamo-nos "timorenses" e só já sentimos pena.
A esperança existe, assente na certeza de que Portugal não é o corrupto do Sócrates, nem o idiota do deputado de província, de que Portugal não é o tal país, dirão os estrangeiros, que corta nos salários para arrecadar 1000 milhões de euros e depois compra dois submarinos por 1000 milhões de euros. Mas é uma esperança pouco esperançosa, enquanto tivermos ex-presidentes da Assembleia da República que digam barbaridades dignas de um bobo de uma corte medieval, enquanto esquecermos a miséria em que vivemos e produzirmos mais no dia seguinte só porque a selecção de futebol luso-brasileira ganhou à Dinamarca.
Portugal é mais do que um Governo, muito mais do que o caciquismo instalado, do que pão e circo, do que os interesses económicos que nos consomem na penúmbra, do que lutas de poder disfarçadas, que na verdade se intercalam com abraços e pancadinhas nas costas de bastidor. Portugal será muito mais do que isto. Mas enquanto não o for, enquanto acordar e tiver pela frente um dia que não é o meu, sentirei vergonha, pena e desamor deste país a que pertenço no bilhete de identidade.
Não gosto deste país. Não gosto dele assim.
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
Dizes sempre isso - repreendes-me.
Mas pior, não acreditas.
Explicar-te-ei então, na esperança,
Não de que acredites, mas apenas de que não me repreendas mais.
Quem ama não merece, não merece repreensões.
Quem ama merece castigo – que seja amar ainda mais –
Mas não repreensões.
Repreenda-se as crianças, que não o repitam, que se tornem melhores.
Não se repreenda quem ama.
Quem ama só erra por amor – e que doce erro de quem ama,
Que não merece repreensões.
Quem ama beija a felicidade que é beijar-te a ti.
Abraça a vida que dá por ti,
Não hesita o corpo que sonha em ti.
Estás linda amanhã.
Disseste o mesmo ontem - repreendes-me.
Quem ama repete o seu amor.
Não me ames, vai-me amando.
Não me ames amanhã, vai-me amando desde hoje, desde agora.
Amanhã não se ama, apenas se pensa no amor.
Chega o amanhã e estás linda hoje.
Dirás sempre o mesmo - repreendes-me.
E quem ama diz sempre o mesmo
E não merece repreensões.
Repreenda-se quem não repete o seu amor,
Quem não ama vezes sem conta,
Quem não diz estás linda hoje, ontem e amanhã.
Que não se deixe amar quem não acha que estás linda hoje,
Pois hoje estás linda. E repreendes-me.
Não me repreendas, não se repreende quem ama.
E eu amo-te.
Terça-feira, Dezembro 08, 2009

